Atualmente, com os avanços nas pesquisas e o desenvolvimento tecnológico de materiais sintéticos, o procedimento para a instalação de implantes dentários tem sido cada vez mais seguro e bem-sucedido. Os biomateriais são agem no organismo, substituindo ou sendo incorporados ao tecido ou órgão a ser regenerado/reconstruído.

Com o uso de biomateriais sintéticos na implantodontia, o tratamento pode ser feito em único procedimento cirúrgico com tempo reduzido, com menos dor (morbidade) e menor incidência de complicações pós-operatórias.

O uso de biomateriais particulados na Implantodontia

Os substitutos ósseos sintéticos, amplamente conhecido na Odontologia como biomateriais particulados, podem ser usados para preenchimento de defeitos ósseos, reconstrução da altura e espessura da mandíbula ou maxila, levantamento de seio maxilar, possibilitando uma instalação do implante dentário segura e eficaz, devolvendo ao paciente a função mastigatória e a estética do sorriso.

É importante observar que os biomateriais são poderosos adjuvantes no processo de neoformação óssea, mas não são os únicos responsáveis, de tal modo que, o processo reparação óssea se dá por um processo fisiológico único, que pode variar muito de pessoa para pessoa. Aliás, a própria qualidade do tecido ósseo que se formará vai variar conforme o tipo de biomaterial escolhido, as condições de saúde do paciente e da habilidade cirúrgica do implantodontista.

Assim, para aumentarmos os índices de sucesso do procedimento, devemos escolher um biomaterial que não induza resposta imunológica antígeno-anticorpo, não seja citotóxico ou carcinogênico, não impeça o fluxo sanguíneo e de nutrientes, e não leve a uma resposta inflamatória aguda intensa ou crônica. A demanda por biomateriais que agreguem essas características cresce de forma significativa a cada ano, principalmente os biomateriais de origem sintética.

Embora os enxertos autógenos (enxerto do próprio indivíduo) serem considerados o padrão “ouro” para enxertia óssea, estes enxertos apresentam certos inconvenientes como: intervenção cirúrgica em uma área doadora sadia; maior período de recuperação; maior susceptibilidade a infecções; e reabsorção progressiva e constante do enxerto ao longo do tempo. Dessa forma, a utilização do material sintético pode viabilizar um procedimento mais rápido e, ainda assim, com bom resultado para a instalação do implante.

Tipos de biomateriais na implantodontia

Várias são as classificações dos biomateriais utilizados na Implantodontia. De acordo com a compatibilidade que apresentam com os tecidos adjacentes, podem ser:

  • Biotolerados: caracterizam-se pela presença de tecido conjuntivo fibroso entre o implante e o tecido ósseo. Praticamente todos os polímeros sintéticos não absorvíveis e a grande maioria dos metais se enquadram nesta categoria.
  • Bioinertes: caracterizam-se por uma neoformação tecidual de contato com produto (implante). No entanto, não ocorre nenhuma reação química entre o tecido e o implante. Os implantes dentários são considerados bioinertes (osseointegração implante/tecido ósseo). Exemplos: alumina, zircônia, titânio, tântalo, nióbio e carbono.
  • Bioativos: caracterizam-se por promover uma reação fisico-química entre o implante e o leito recpetor, principalmente trocas iônicas entre o produto e interface com leito receptor (plasma sanguíneo e tecidos adjacentes) interferindo diretamente na osteogênese. Os principais materiais desta classe são as biocerâmica como: fosfatos de cálcio (hidroxiapatita e β-TCP) e vidro bioativos. – Subclasse: os absorvíveis, os quais caracterizam-se por, após em contato com os tecidos serem degradados por hidrólise ou ação enzimática, solubilizados ou fagocitados pelo organismo. Exemplos: produtos a base de polímero natural (colágeno, quitosana, ácido hialurônico entre outros), polímeros sintéticos [PLLA (poli-L-ácido láctico), PLGA (ácido poli(lático-co-glicólico), PDO (polidioxanona)] e biocerâmica (fosfato tricálcico (TCP), outras fases de fosfato de cálcio e vidros bioativos).

Classificação em relação à origem, podem ser:

  • Autógenos: obtidos de áreas doadoras do próprio indivíduo;
  • Homogêneos: obtidos de indivíduos de espécie semelhante ao receptor (por meio de banco de ossos, por exemplo);
  • Heterógenos: obtidos de indivíduos de espécies diferentes do receptor, sendo o mais comum a fonte bovina, suína ou equina;
  • Sintéticos ou aloplásticos: podem ser metálicos, cerâmicos ou poliméricos.